
Desde 1998

O Quarteto em Cy foi originalmente formado pelas irmãs
Cylene, Cynara, Cybele e Cyva, nascidas em Ibirataia (BA).
Ainda em seu estado natal, as quatro irmãs Sá Leite
iniciaram sua relação com a música através do projeto
sociocultural "Hora da Criança", que visava introduzir os
jovens no fascinante mundo das artes. No início dos anos 60,
de passagem pelo Rio de Janeiro, Cyva, a irmã mais velha,
conhece o poeta Vinícius de Moraes, que incentiva as quatro
irmãs a formar um conjunto vocal. Com o auxílio de Carlos
Lyra, o grupo foi batizado como Quarteto em Cy, em
referência às iniciais dos nomes das integrantes.
O primeiro registro do conjunto se deu ao lado de Catulo de
Paula, através da participação na trilha sonora do filme de
Alex Viany "Sol Sobre a Lama" (1963), composta por
Pixinguinha e Vinícius de Moraes. Em 1964 o grupo se
apresentava na boate Bottle's, no Beco das Garrafas, junto
do Copa Trio, Rosinha de Valença e Carlos Castilho - seu
primeiro arranjador vocal. Ainda naquele ano o Quarteto
participava do histórico show na boate Zum-Zum, contígua a
Bottle's, em companhia de Vinícius de Moraes e Dorival
Caymmi, com produção de Aloysio de Oliveira e direção
musical de Oscar Castro Neves. O conteúdo integral do
espetáculo apresentado no Zum-Zum seria lançado em 1965 em
LP pela Elenco, de propriedade de Aloysio, que resultaria no
maior êxito comercial daquela companhia.
Ainda em 1964, o Quarteto gravava seu disco de estréia pela
recém-inaugurada gravadora Forma, de Roberto Quartin, que
contou com arranjos vocais de Carlos Castilho e
instrumentais de Eumir Deodato e Luiz Carlos Vinhas. Ainda
pela Forma, o Quarteto gravaria os álbuns "Som Definitivo"
(1965), com o Tamba Trio, e "Os Afro-Sambas" (1966),
acompanhando Vinícius de Moraes e Baden Powell. Em 1966,
guiadas por Aloysio de Oliveira, as quatro irmãs do Quarteto
em Cy davam início efetivo a sua carreira internacional,
apresentando-se em programas de televisão norte-amricanos e
gravando sob o nome The Girls From Bahia o disco "Pardon my
English", pela Warner Brothers. O début do grupo em terras
estrangeiras, no entanto, havia se dado em 1965, quando da
gravação do álbum "Caymmi and The Girls From Bahia", também
pela Warner, ao lado do conterrâneo Dorival Caymmi.
Ainda em 1966, Cylene se casa e decide abandonar o grupo,
sendo substituída pela polivalente Regina Werneck, que bem
integrada no conjunto passaria a ser conhecida por Cyregina.
De volta ao Brasil com a nova formação, o Quarteto participa
do "Show do Crioulo Doido", de Sérgio Porto, realizado no
Teatro Toneleros (RJ), e lança pela Elenco o disco "Quarteto
em Cy" (1966), composto em grande parte pelos fonogramas de
seu primeiro álbum pela Warner. Ainda em 1966, ao lado de
MPB4, o grupo apresentava "Canção a Medo", de Sérgio
Bittencourt, no I Festival da Canção Popular promovido pela
TV Rio. Naquele mesmo evento o Quarteto defendia "Se a Gente
Grande Soubesse", de Billy Blanco, junto de seu filho,
Billinho. No ano seguinte o conjunto lançava o primeiro
álbum totalmente gravado pela sua nova formação, composta
por Cyregina, Cyva, Cynara e Cybele: "Marré de Cy" (1967),
que evocou o lúdico universo infantil. Novamente
participando do Festival Popular da Canção, agora em sua
segunda edição, o Quarteto em Cy defendia "Sou de Oxalá", de
Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo.
Em 1967, de volta aos Estados Unidos, o Quarteto em Cy,
novamente como The Girls From Bahia, realizava uma série de
apresentações em universidades e cassinos, e grava seu
segundo LP internacional pela Warner Brothers: "Revolución
com Brasília", que trouxe clássicos da Bossa Nova e
standarts do cancioneiro norte-americano. À época de tal
lançamento o Quarteto se apresentou no célebre programa
"Andy Williams Show", transmitido coast-to-coast pela rede
NBC. Em 1967, Cynara e Cybele se desligam do Quarteto,
atuando em dupla até o ano seguinte e sendo substituídas por
Semíramis e Sonya, que passariam a ser conhecidas
respectivamente por Cymíramis e Cyntia. Com esta nova
formação o grupo continuava a se apresentar nos Estados
Unidos e entrava novamente em estúdio para um novo LP. O
álbum, que teria o título "Carrousel", nunca fora lançado.
Em 1968, de volta ao Brasil com sua nova formação - composta
por Cyntia, Cyregina, Cymíramis e a resistente Cyva -, o
grupo gravou o LP "Em Cy Maior", seu derradeiro pela
gravadora Elenco. Novamente nos Estados Unidos, o Quarteto
continuava a realizar apresentações mediadas por Aloysio de
Oliveira, agora marido de Cyva. Após a saída inesperada de
Cymíramis ainda em 1968, a cantora Sandra Machado assume seu
posto para dar continuidade à agenda de compromissos do
Quarteto, que se estendeu até meados de 1970, quando o
grupo, desestabilizado pelas constantes modificações
estruturais, decide interromper suas atividades artísticas.
Em 1972 o grupo se reestrutura no Brasil com nova formação
constituída por Cyva, Cynara, Sonya (ex-Cyntia) e Dorinha
Tapajós. Sob a direção musical de Milton Miranda e Gaya,
grava o LP "Quarteto em Cy", pela Odeon, fincando suas
raízes em seu país de origem. Em 1973, o Quarteto realiza
turnê pelo Brasil - iniciada no teatro TUCA, em São Paulo -,
ao lado de Vinícius de Moraes e Toquinho, que renderia
posteriormente o álbum "Saravá Vinícius". Em 1974, o grupo
lança dois compactos duplos pela Philips - "Quatro Sucessos
em Cy" - Volumes 1 e 2 - que marcam sua estréia na gravadora
na qual permaneceriam pelos próximos seis anos. Atuando sob
a direção musical de Luiz Cláudio Ramos, que acompanharia o
grupo até 1983, o Quarteto em Cy gravava em 1975 o disco
"Antologia do Samba-Canção", que renderia um segundo volume
no ano seguinte devido ao grande sucesso do projeto que
enfocava canções daquele movimento antecessor da Bossa Nova.
Na década de 70 o Quarteto lançou ainda os discos
"Resistindo" (1977), com o conteúdo do show homônimo
apresentado no teatro Fonte da Saudade, no Rio de Janeiro;
"Querelas do Brasil" (1978), marcado por repertório
conceitual que evocou dores e delícias de nosso país; "Cobra
de Vidro", estabelecendo a feliz parceria com o grupo-irmão
MPB-4 (1978); "Em 1000 Kilohertz" (1979), com base no
repertório do espetáculo apresentado no teatro Vanucci, no
Rio de Janeiro, e "Flicts" (1980), com MPB4 e Sérgio Ricardo
- baseado no livro homônimo de Ziraldo.
Em 1980 Dorinha Tapajós se afasta do grupo por motivos de
saúde, sendo substituída por Cybele. Com a nova formação que
se mantém até hoje - Cyva, Cynara, Cybele e Sonya -, o
Quarteto gravava o LP "Quarteto em Cy Interpreta Caetano,
Milton, Gonzaguinha e Ivan" (1980) seguido do também
temático "Caminhos Cruzados - Lobos, Caymmis e Jobims"
(1981). No ano seguinte, o Quarteto em Cy realizou no teatro
Paiol, em Curitiba, o show "Falando de Amor pra Vinicius",
ao lado do violonista Luís Cláudio Ramos, homenageando o
poeta e padrinho do grupo um ano após seu falecimento. Em
1983 o Quarteto lança o LP "Pontos de Luz" (1983), trazendo
as refinadas harmonias vocais do Quarteto em Cy sobre
instrumentações ousadas envoltas por sintetizadores.
Após um hiato de quatro anos, o Quarteto em Cy voltava ao
cenário artístico, em 1987, com o show "Ao Redor de Cy",
apresentado na boate People sob direção musical de Célia Vaz
- que seria figura constante na carreira do Quarteto a
partir de então. Em 1988 o grupo participava, ao lado de
outros artistas, da gravação do LP "Para Fazer Feliz a Quem
se Ama", produzido por Roberto Menescal para a CBS / Sony
Music. Em 1989, o Quarteto viaja para Tóquio (Japão), e
participa, com Carlos Lyra, Leila Pinheiro e Uakti, de
grandioso festival de Bossa Nova. Ainda em terras orientais,
o grupo realiza apresentações na Boate Kay e grava um
especial para rede de TV japonesa. Ainda naquele ano o grupo
registrava sua participação no disco "Cláudio Santoro -
Prelúdios e Canções de Amor" - distribuído somente como
brinde pela Coca Cola Company -, junto de Gilson Peranzzeta,
Boca Livre e precioso time de músicos.
Em 1990 o Quarteto participava do remake do disco
"Afro-Sambas", feito por Baden Powell inicialmente para
servir de brinde a um banco - posteriormente, o álbum seria
reeditado em vários países e por diferentes gravadoras. Em
1991 o Quarteto em Cy marca sua volta definitiva à música
através do álbum "Chico em Cy", iniciando sua nova fase na
Companhia Industrial de Discos, a CID. No ano seguinte o
grupo lança no mercado japonês o disco "Bossa em Cy",
através do selo Nanã, de Lisa Ono, em parceria com a BMG /
Ariola. Em 1992 o grupo viaja a Espanha com Carlos Lyra,
Gilson Peranzzetta e Maria Creuza, a convite do governo
daquele país, para as comemorações dos 500 anos do
descobrimento da América, apresentando-se nas cidades de
Madri, Sevilha, Salamanca, Cáceres, Huelva e Badajós. Em
1994, comemorando 30 anos de carreira, o Quarteto grava o
reflexivo álbum "Tempo e Artista" e, dois anos depois,
"Brasil em Cy", com releituras de clássicos da MPB com
destaque para parcerias com Miúcha, Léo Gandelman, Gal
Costa, Maria Bethânia e Zélia Duncan.
Em 1997, o Quarteto em Cy se apresenta novamente no Japão e
grava, com o MPB4, o álbum "Bate-Boca", tendo como base as
canções de Tom Jobim e Chico Buarque. Ainda nesse ano, o
grupo recebia o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor
Grupo Vocal. Em 1998 o Quarteto torna a se apresentar no
Japão, ano em que também lança novo disco com o MPB4: "Somos
Todos Iguais", baseado na faceta mais pop do repertório de
Ivan Lins e Djavan. Em 1999 o grupo comemorava 35 anos de
carreira com o show "Boas-Vindas" e lançava o álbum "Gil &
Caetano em Cy".
Em 2000, Quarteto em Cy e MPB4 se reúnem novamente para o
disco "Vinícius: A arte do Encontro". Neste ano, o octeto
realizou show homônimo no Canecão, acompanhado de Célia Vaz
(violão), João Faria (baixo), João Cortez (bateria) e Pedro
Reis (guitarra e bandolim). Em 2001 o Quarteto em Cy lança
pela CID o álbum "Falando de Amor pra Vinicius", originado
de gravação resgatada dos arquivos de Cynara do show
realizado em Curitiba, em 1981, ao lado do violonista Luís
Cláudio Ramos. Ainda neste ano o Quarteto relembra os tempos
de infância com o álbum "Hora da Criança", em alusão ao
projeto sociocultural homônimo que ainda vigora na Bahia. Em
2002 o grupo lança o conteúdo do show "Verdades e Mentiras",
apresentado no teatro Rival, no CD e DVD "Quarteto em Cy -
Gravado ao Vivo no Rio de Janeiro", apresentando repertório
diversificado de diferentes momentos de sua carreira. Em
2004 o Quarteto participou, ao lado de vários artistas, da
gravação de CD e DVD do projeto "Hino do Fome Zero". Em
2004, celebrando 40 anos de carreira, o Quarteto se
apresentava no Teatro Rival (RJ), com banda formada pelos
músicos Kiko Furtado, João Faria, João Cortez e Chico Faria.
Neste mesmo ano é lançado pela Universal Music o álbum duplo
"Quarteto em Cy - Quarenta Anos", resgatando sucessos bem
como gravações raras e inéditas do grupo.
Em 2006, com arranjos vocais de Cynara, o Quarteto em Cy
lança pela gravadora Fina Flor o disco "Samba em Cy",
honrando o mais brasileiro dos estilos musicais e várias de
suas vertentes - partido-alto, samba-enredo, samba maxixado,
samba de terreiro, dentre outros - trazendo regravações de
composições consagradas e salientando oito inéditas, com
destaque para a faixa-título, composta por Ruy Quaresma e
Ney Lopes especialmente para o Quarteto em Cy. Em 2007, o
conjunto recebia indicação ao Prêmio TIM de Música
Brasileira na categoria "Melhor Grupo de Samba".
Em 2008, a produtora Filmação, em associação com a
distribuidora Neo, lança em DVD o conteúdo do espetáculo em
que Cyva, Cynara, Cybele e Sonya homenageiam Vinícius e
Caymmi. O projeto "Quarteto em Cy no Show Vinícius & Caymmi
em Cy", produzido por Miguel Bacellar e dirigido por João
Elias Júnior, faz menção ao famoso espetáculo apresentado em
1964 na boate Zum-Zum. Músicas como "Berimbau", "Saudade da
Bahia", "História dos Pescadores" e "Samba da Bênção" não
poderiam faltar, porém, outras tantas da carreira dos
compositores e seus parceiros são apresentadas pelo Quarteto
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