
Desde 1998

Vamos falar do cara que fez da polêmica sua maior aliada.
Marcelo D2, menino criado nos subúrbios do Rio de Janeiro,
trabalhou de Porteiro a Office boy, mas o destino quis mudar
sua vida, conheceu Skunk, Idealizador do Planet Hemp, que o
chamou para participar por sua facilidade de brincar com as
palavras e rimas, usando muita irreverência e rimas ousadas
em suas letras. Essa foi uma das bandas mais polêmicas e de
sucesso no Brasil, que com 4 álbuns, chegou a incrível marca
de dois milhões de discos vendidos.
Em 1998, quando o Planet Hemp parou de gravar, Marcelo D2 se
dedicou a sua carreira solo, lançando seu primeiro disco "Eu
Tiro É Onda", que vendeu mais de 150 mil cópias. No ano de
2003, D2 lança seu segundo álbum solo, "À Procura da Batida
Perfeita", onde se firmou como renovador da música
brasileira, ganhando todos os prêmios aos quais foi
indicado, inclusive como melhor letrista de 2004 pela
Academia Brasileira de Letras. Nesse ano de 2004, Marcelo D2
teve seu álbum lançado na Europa, Estados Unidos e Ásia e
por causa dele, fez cinco turnês na Europa se apresentando
nos maiores festivais do continente e em casas de show
tradicionais. Neste ano também foi convidado a realizar o
acústico MTV, uma coletânea de seus sucessos em discos
anteriores em versões acústicas, D2 pegou suas músicas e as
desconstruiu, desplugando o Hip Hop, o reinventando,
colocando em cima do palco uma banda de 23 músicos.
O álbum "À Procura da Batida Perfeita" ainda rendeu um DVD
acústico e um DVD de clipes com documentário sobre a
pesquisa e composição do disco. DVD de ouro, disco de ouro e
sucesso incontestável.
Seu terceiro disco solo é "Meu Samba é Assim". Nele, D2 traz
músicas com a sua cara nas 15 faixas inéditas e participação
de estrelas de ambos os mundos que ele transita, como Zeca
Pagodinho, Alcione e Arlindo Cruz do Samba e Charli Tuna e
Marechal do Rap. O disco foi lançado em Maio de 2006 no
Brasil e em junho, lançado em Portugal e demais países da
Europa.
Logo após o lançamento, D2 embarcou em uma turnê de dois
meses pela Europa durante a Copa do Mundo. Essa turnê é a
maior de um artista brasileiro na Europa e nos Estados
Unidos até hoje. Nela, D2 se apresentou em festivais
renomados como Montreux, na Suíça, Roskilde na Dinamarca,
Womex na Inglaterra e ainda se apresentou para 15 mil
pessoas em Los Angeles, no tradicional Hollywood Bowl.
A ARTE DO BAGULHO, quer dizer, DO BARULHO
por Helio de la Peña
Você que tá aí de bobeira, olhando pra ontem, gemendo que
ninguém te ama, ninguém te quer, esperando que um grande
lance caia no teu colo... D2 tem um recado pra você. É hora
de se levantar, se mexer, se coçar, parceiro! Esse é o papo
reto que corre nas faixas deste novo trabalho. A Arte do
Barulho.
Tá ruim pra todo mundo e a vida é curta, não dá tempo de
esperar a chegada da cavalaria, não dá pra ficar parado no
ponto aguardando passar aquela van com destino à felicidade.
Você não está numa lan house, meu cumpadi, essa ficha não te
dá direito a outra vida. O jeito é suar a camisa, correr
atrás, não é hora de abaixar pra ajeitar o meião. Tá certo,
não se pode perder a esperança, é preciso sonhar, ficar de
olho na luz no fim do túnel, mas se liga: pode ser o farol
do camburão. Então, engole o flagrante e vai à luta.
Marcelo D2 não tá no mundo a passeio, quer deixar a marca do
seu grafite lá no alto daquele prédio. É pra isso que ele
rala. E sempre ralou. Ex-porteiro, ex-faxineiro, ex-camelô,
nunca foi escroque ou escroto. Conheceu Skunk (o músico, não
a erva), resolveu ser músico e criou o Planet Hemp (a banda,
não a erva). Tumultuou a cena musical no palco, na imprensa,
na cadeia. Desberlotou o rock, o rap, o punk e acendeu a
chama da novidade até a última ponta.
Partiu pra carreira solo, tirou onda e lançou uma obra-prima
À Procura da Batida Perfeita, onde o rap se casou com o
samba e foram felizes para sempre. Podia ter parado por aí,
podia ter ficado lambendo seus prêmios, seus discos de ouro,
de platina, de tungstênio... mas chega de saudade! O cara é
sujeito homem, não vive de marcha ré. Meteu o pé e foi em
frente. E depois de "Meu Samba é Assim", ele chega
estourando as caixas com "A Arte do Barulho".
Para quem já tinha se acostumado com a mistura do hip hop com
samba, D2 resolve jogar no liquidificador musical o DNA do
Planet Hemp, com mais zueira, mais esporro, mais rock n
roll. Atividade na Laje! Mas o samba continua vivo ali, no
seu "Desabafo", por exemplo. Pode acreditar! E no meio da
acidez do discurso de um "Fala Sério", a doçura de "Ela
disse".
Marcelo não está só nessa caminhada. Ele conta com Seu Jorge,
Aori, Roberta Sá, Thalma de Freitas, Zuzuca Poderosa,
Mariana Aydar, Medaphor, Marcos Valle e a banda Cabeza de
Panda, além da parceria de pai pra filho com seu moleque
Stephan.
Coerente e paradoxal, D2 gosta do luxo e das coisas simples,
circula no morro e no asfalto, na zona sul e na zona norte,
não foge da briga mas também quer sossego. D2 é da paz e não
da pasmaceira. Este álbum te convida a vir pra pista
balançar o esqueleto e, ao mesmo tempo, a parar pra pensar
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