
Desde 1998

Cacique de Ramos é o nome de um bloco carnavalesco do bairro
de Ramos na cidade do Rio de Janeiro. Uma quadra de futebol
de salão é o local onde ainda se realizam os ensaios do
bloco e também no final dos anos 70, onde se iniciou o maior
movimento de samba que já se teve notícia: Os pagodes de
Fundo de Quintal. A principal característica de seus
componentes é que sempre saem em indumentárias indígenas.
Por muitos anos o Cacique de Ramos desfilou na avenida Rio
Branco que era o local onde desfilavam os blocos e o
Cacique, sempre vinha na avenida com mais de 10.000
integrantes enquanto os outros blocos nem chegavam nem a
metade. Seu maior rival na avenida foi o bloco Bafo da Onça.
O Bafo da Onça era comandado por Osvaldo Nunes, cantor
compositor, representante e defensor do samba da época. A
rivalidade entre Bafo da Onça e Cacique de Ramos era tão
grande que quando eles se encontravam na avenida, era sempre
caso de polícia. As brigas reinavam em todos os sentidos.
Por muitas vezes o Cacique chegava a atrasar o desfile por
mais de 4 horas só para pegar o melhor horário e não
permitir que o Bafo da Onça fizesse seu carnaval. Se algum
componente viesse pela rua com a fantasia do Cacique e
alguém do Bafo da Onça com sua fantasia, era melhor um dos
dois atravessar a rua, caso contrário seria briga na certa e
quem estivesse em desvantagem que arrumasse logo outros
parceiros para, pelo menos, poder empatar a briga. Mesmo
nestes casos o pessoal do Cacique também saía em vantagem.
O Cacique sempre teve mais nome na avenida e no samba, por
causa do seu pagode que acontecia todas as quartas-feiras em
sua quadra. Com isso conseguia levar um grande número de
pessoas influentes do meio do esporte, televisão e muitos
artistas para abrilhantar seu carnaval. Com uma nova
roupagem, filosofia, letra, melodia, harmonia essa roda de
samba passou a ser especial e cada vez mais comentada em
todo o Rio de Janeiro.
Tudo o que havia na época em termos de samba, na roda do
Cacique aos pés da Tamarineira, era diferente. Muitos
sambistas surgiram desse movimento e atuam até hoje em
defesa daquilo que aprenderam a gostar.
O Grupo Fundo de Quintal mantem suas tradições e nunca se
utilizou de outros instrumentos alheios a seu prestígio e
performance em suas andanças pelo mundo. Quisera esses
grupos novos que se intitulam de pagode, seguissem esse
mesmo caminho em sua formação musical e instrumental...
Sempre prevaleceu o som de cordas e percussão porque esses
professores do samba, não necessitam de mais nada, além
desses instrumentos para nos fazer cantar e sambar até o sol
raiar.
As músicas cantadas na roda eram bem compostas, os versos de
improviso eram engraçados e os improvisos dos versadores era
belo de se ver. Quem pertenceu e quem pertence ao Grupo
Fundo de Quintal é porque tem com certeza algo muito
diferente de nós. Não conseguiremos nunca tirar o som desses
senhores, nunca comporemos igual a eles pois o som deles é
diferente é especial.
Com certeza a raça, a cultura, o poder a harmonia a luz, além
de milhares de outras características os fizeram assim. Eles
fazem samba porque gostam, sabem e representam compositores
do quilate de Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, Heitor
dos Prazeres, Velha Guarda da Portela, Neco do Reco,
Pedrinho da Talita, Manoel Português, Pessoal da Serrinha,
Ismael Silva, Trindade, Argemiro, Wilson Batista, Moquinha,
Pedro Sabão, Adoniram, Pedro Marteleiro, Tia Madalena, Tião
Cantador, Wilson Moreira, Nei Lopes, Paulinho da Viola, Noel
Rosa, Talismã, Geraldo Filme, e tantos outros. Tornou-se
hábito dos artistas do samba, ao gravarem seus discos, irem
procurar sambas novos na roda do Cacique dando assim crédito
a qualidade dos sambas que se surgiam desse novo movimento.
O pagode já estava bem conhecido e comentado até que Alcir
jogador do Vasco da Gama e amigo de Beth Carvalho, (que
levou seu produtor Rildo Hora) levou-a para conferir o que
havia de diferente naquele samba. Beth foi gostou e passou a
ser frequentadora assídua dos pagodes e madrinha do Fundo de
Quintal passando, assim, a representar os sambas cantados na
quadra do Cacique.
Após conhecer os componentes do Cacique de Ramos, Beth
Carvalho convidou-os para atuarem como músicos em seu
próximo disco no final de 1977/78, disco esse, que se
chamaria Pé no Chão. O nome Fundo de Quintal foi dado por um
amigo e antigo produtor musical chamado Valdomiro. Estava
assim iniciada a carreira artística do Grupo Fundo de
Quintal e após o sucesso do disco de Beth Carvalho, o Grupo
Fundo de Quintal no ano de 1980 inicia sua carreira
profissional.
O Grupo Fundo de Quintal em seu gênero é o mais premiado.
Além de tantos outros prêmios o maior prêmio da Música
Popular Brasileira, PRÊMIO SHARP em seus 12 anos de
existência tem o Grupo Fundo de Quintal como recordista em
premiação: venceu por 10 vezes, sendo 7 consecutivas como o
melhor Grupo de Samba. O grupo Fundo de Quintal no início do
ano 2001, está com 21 anos de carreira e nesse período
vendeu milhões de discos, recebeu por inúmeras vezes vários
discos de ouro e vários de platina sendo o primeiro no
gênero a atingir vendagem superior a 500.000 cópias.
Possui menções honrosas por seu trabalho e respeito ao samba,
tendo inclusive discos ouvidos pelos maiores cantores,
produtores, músicos, maestros de todo o mundo como
referência do verdadeiro samba
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Quintal
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