
Desde 1998

Longe de mim a intenção de me passar como descobridor de
talento, já que não foram poucas as minhas falsas previsões
sobre o futuro de jovens em início de carreira. Mas não há
como esconder que, desde que vi Dudu Nobre pela primeira
vez, tocando cavaquinho e cantando no conjunto de Zeca
Pagodinho, arrisquei um palpite: "Trata-se de um astro".
O acerto da previsão foi confirmado desde o primeiro CD, mas
confesso que não imaginava que fosse tão longe como foi com
esse "Roda de Samba Ao Vivo", à disposição de todos em CD e
DVD. Asseguro que são dois lançamentos para entrar como
destaque na história do samba não somente pela atuação do
próprio Dudu, como também pela seleção de músicas de alguns
dos maiores compositores do gênero de ontem e de hoje, pelas
participações de Roberta Sá, Zeca Pagodinho, Nei Lopes,
Martinho da Vila, Almir Guineto, pela escolha dos
instrumentistas, pela alegria, pela empolgação e por tantas
outras atrações colocadas à disposição dos felizardos que se
deleitarão com o áudio e o vídeo.
Recebi com emoção a homenagem prestada a autores que já se
foram e deixaram sambas que não morrerão nunca, graças a
cantores como Dudu Nobre, sempre disposto a impedir que
esses sambistas sejam esquecidos. A começar por Candeia, o
grande compositor da velha Portela e que, além de produzir
músicas imortais, promoveu uma verdadeira revolução no mundo
do samba com a criação do Grêmio Recreativo de Arte Negra e
Escola de Samba Quilombo. Que bom foi Dudu lembrar-se de
Monsueto, com o seu fantástico samba "Lamento da lavadeira",
e do saudoso compositor salgueirense Geraldo Babão, que, no
registro civil era Geraldo Soares de Carvalho, mas ninguém
sabia disso. Sabíamos apenas que se tratava de um grande
compositor.
O CD e o DVD "Roda de Samba Ao Vivo" são tão empolgantes que,
mesmo de fora, nos sentiremos não apenas ouvintes ou
espectadores, mas participantes. Foram reunidos sambas
maravilhosos e apresentados de tal maneira, que, certamente,
levarão a qualquer um de nós a cantar juntos. São sambas
saborosos, mesmo para aqueles que os ouvirão pela primeira
vez, mas que nos levam a aprendê-los imediatamente, letra e
música. É que a seleção musical foi feita por Dudu Nobre, um
sambista que está no ramo desde os cinco anos de idade,
quando começou a tocar cavaquinho e, mais tarde, recorreu ao
mestre Henrique Cazes para se aperfeiçoar no instrumento
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